sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Olá

Não me importa em falar sem ser ouvido, o que, aliás, tem sido a contextualização mais comum no mundo virtual.
Ainda sim, vamos às apresentações.

Este blog é novo, mas seu conteúdo, nem tanto.
É porque desgostei do "devaneios de mytra" e ante o insucesso em alterar o endereço do blog sem modificar o conteúdo, fiz um novo.
A proposta é a mesma: divagar sobre assuntos que eu ache interessante.
Só que agora, com uma direção: o pensar como forma de nos libertar, seja lá no que estivermos presos: do falso óbvio, da moral e do pensamento.

Não apenas no campo da religião - embora até este momento, seja o assunto maior aqui - , mas de qualquer crença que esteja presente no nosso cotidiano. O questionamento sobre o dia a dia.
Agora com um foco, embora o conteúdo antigo pode não ter muito sentido, mas eu vou mantê-lo.

Com tantos endereços para blogs por aí, porque escolhi hospedá-lo no blogger, de novo?
A resposta é mais simples do que cara de pau: por pura comodidade.

Seja bem vindo!
Nesta casa, as portas sempre estarão abertas.


"Homens convictos são prisioneiros."
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 22 de novembro de 2010



Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.
Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.
Este planeta tem ― ou melhor, tinha ― o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.
E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.
Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.
E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.
Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a idéia perdeu-se para todo o sempre.
Esta não é a história dessa garota.
É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas conseqüências.
É também a história de um livro, chamado O Guia do Mochileiro das Galáxias ― um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele.
Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.
Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor ― editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também.
O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo best-seller ― mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem É Esse Tal de Deus Afinal?
Em muitas das civilizações mais tranqüilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Guia do Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositório-padrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes.
Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.
Mas a história daquela quinta-feira terrível e idiota, a história de suas extraordinárias conseqüências, a história das interligações inextricáveis entre estas conseqüências e este livro extraordinário ― tudo isso teve um começo muito simples.
Começou com uma casa.

ADAMS, Douglas. Guia do Mochileiro das Galáxias: Volume um da trilogia de cinco.

domingo, 21 de novembro de 2010

“Somente uma coisa é necessária”… Que todo homem, por possuir uma “alma imortal”, tenha tanto valor quanto qualquer outro homem; que na totalidade dos seres a “salvação” de todo indivíduo um possa reivindicar uma importância eterna; que beatos insignificantes e desequilibrados possam imaginar que as leis da natureza são constantemente transgredidas em seu favor — não há como expressar desprezo suficiente por tamanha intensificação de toda espécie de egoísmos ad infinitum, até a insolência. E, contudo, o cristianismo deve o seu triunfo precisamente a essa deplorável bajulação de vaidade pessoal — foi assim que seduziu ao seu lado todos os malogrados, os insatisfeitos, os vencidos, todo o refugo e vômito da humanidade. A “salvação da alma” — em outras palavras: “o mundo gira ao meu redor”…


Friedrich Nietzsche

terça-feira, 5 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E seu Deus? É matéria ou imaterialidade pura?

Photobucket

Caminhando pela rua e perdida em aleatoriedades, li uma frase em um carro que muito me chamou a atenção. Sem entrar em pormenores, era um veículo muito novo e bem cuidado pelo dono que, em sentimento de gratidão, colocou um adesivo, não discreto, no vidro detrás, escrito: “Presente de Deus”.

Presente de Deus? – indaguei.

Presente de Deus? – re-indaguei, se é que isso realmente existe, tentando organizar os pensamentos, os quais mal consigo colocar aqui.

Se eu fosse buscar de Deus algum “presente”, eu recorreria a essa força imensa, misteriosa e etérea para buscar coisas imateriais das quais eu não teria confiança suficiente para adquirir. Uma graça, uma mente tranqüila, paz de espírito e até mesmo sabedoria.

Mas como pedir a um ser imaterial para que este me conceda algo puramente material, que está na lista platônica das coisas mundanas, terrenas, humanas e quando não, são puro reflexo de um desejo capitalista-consumeirista no qual as mais diversas religiões tentam reprimir?

Presente de Deus?

Não é ingratidão refletir que uma conquista material resultou de muito esforço ou de uma eventualidade que costumeiramente denominamos "sorte". Que foi fruto de um investimento financeiro com bons rendimentos (ou não), de uma transação comercial bem suscedida (ou não) ou de qualquer meio que o tornasse capaz de adquirir o bem tão estimado.

Meu problema reside no fato de pessoas se acharem mais merecedoras que outras, seja porque sua religião incute essa idéia, seja porque sozinha - influenciada por seus próprios pensamentos - ela consegue chegar a conclusão que é melhor que todas as outras.

Que apenas porque ela é devota a um certo tipo de fé, obterá preferência aos olhos do divino em detrimento àqueles que não o são.

HEIN?

Aprendi no catecismo - olha minhas raízes cristãs - que todos somos irmãos, filhos de um mesmo pai.

O amor divino não é absoluto, não somos todos iguais, pecadores ou não?

Oras, não O é onipotente e onipresente?

Então porque ampara uns mais que os outros?

Porque pune seus filhos?

Indago a vós: Quem peca mais, é menos benquisto? Mas o pecado não é uma desgraça humana e, penso eu, inventado pela humanidade como um critério moral, de forma medir a quantidade de devoção de um indivíduo, ou entregá-lo nos braços da perdição?

Nenhuma igreja responde a essas perguntas.

Claro, busco respostas que vão além da objetividade falsa do "porque sim".

Na melhor das hipóteses, mostra-se como bom norte recorrer (claro, a quem o crer) ao Ser Divino para ajudar nas soluções que a mente humana, ignorante e cavernosa, é incapaz de solver sozinha. Falo das imaterialidades das quais a humanidade acredita não ser capaz de alcançar sozinha.

Para todas as outras intempéries que surgirem em seu caminho, uma boa dose de determinação com três gotas de esforço deve bastar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O que queremos?

Photobucket

É uma pergunta que pode ser respondida num modo utilitarista, imediatista. Agora eu quero ver um filme.
Mas a pergunta pode soar de forma menos superficial e mais sensitiva.
O que eu quero?
Isso eu não consigo responder. Ao menos, não agora.

Eu quero ser feliz.
De fato, é possível que todos queiramos isso. Mas o que fazemos para tornar isso possível?
Qual o caminho que devemos trilhar?
A nossa felicidade depende da felicidade de outrem ou não?
Eu me sinto feliz fazendo outro feliz, ou somente agindo por mim mesmo obterei a felicidade? Ou mesmo se me torna feliz fazendo aquilo que eu quero, eu ainda me sentiria feliz se dessa vontade resultasse naquilo que afetasse negativamente outrem, importando-lhe um mal?
Conta se tal felicidade for momentânea, ou ela tem de durar o quão necessário for para eu sentir-me satisfeito?
E daí seguem diversos questionamentos, dos quais poderia divagar por horas, sem entretanto lograr respondê-los.

O que pode ser exigido, pedido de mim, de tal forma que posso exigi-lo também das outras pessoas para sentir-me bem? É correto encarar essa relaçao com reciprocidade? A minha satisfaçao deve depender daquilo que peço de você, de tal forma que é também aquilo que você exigiu de mim e nessa equação tão fantatiscamente exata chegarmos a um senso de satisfaçao entorpecente e aliviadora, podendo ser grosseiramente denominada felicidade?

Porque não contarmos apenas com a praticidade do acaso? Ele tudo responde, tudo resolve. "Acontece pois teve de acontecer" não deveria bastar como justificativa para tudo?

Acredito que as atitudes estão sempre concatenadas e, ou são ou serão consequência/ reflexo de alguma coisa.
É também muito fácil pensar dessa forma, mas complexo se torna quando aprofundamos na questão: "consequência de qual ato"?
Não controlamos o amanhã, sequer o hoje, pois nada depende apenas de nós para acontecer.
Não somos donos de nada, nem das pessoas, nem de nós mesmos.
"Possuir" é um conceito lapidado por nós mesmos, fomentados pela incansável necessidade de "ter", que sempre atropela o "ser".

E é incrível que "ao possuir as coisas", com o tempo elas acabarão "te possuindo".
O reflexo do jargão Nietszchiano: "Olhe para dentro do abismo e ele olhará para dentro de você"

É esta a coincidência que realmente existe.
O reflexo. A consequência.
Nós.
Uma piada.